Como já foi dito (consultar página A AUTORA), a Flávia Savary que nasceu primeiro foi a ilustradora e artista plástica, quer por influência do DNA (meu pai é desenhista e minha mãe também, apesar de pouca gente saber disso), quer pela beleza que ambos me ensinaram a ver, onde quer que ela se encontrasse.
Cedo, fui apresentada ao trabalho de ilustradores (melhor dizendo, artistas) geniais como Edmund Dulac, Arthur Rackham, Gustave Doré, Mabel Lucie Attwell, Ivan Bilibin. E também a artistas plásticos (alguns atuaram como ilustradores) incomparáveis. Entre eles, Henri Matisse, Claude Monet, Gustav Klimt, Paul Klee, Marc Chagall, Volpi, Portinari, Gilvan Samico, Guita Charifker, João Câmara, Fayga Ostrower. Dos brasileiros, alguns tive a honra e a alegria de conhecer pessoalmente.
Some-se a tanta beleza, a produzida pelos ditos artistas populares, tão ou mais sofisticados que os academicamente reconhecidos. Senão, vejamos: a que igualar a delicadeza das rendas de bilro do nordeste e de Santa Catarina? Ou os padrões de tapetes e colchas dos teares mineiros? Sem falar no design da cerâmica marajoara e dos adornos xinguanos. A tosca madeira que a talha de GTO traz à vida, da mesma forma que mãos laboriosas e lúdicas transformam o miriti paraense em brinquedo. E que dizer dos bichos míticos de José da Silva, mais o mundo encantado da pintura naïf? Mesmo sofridos, os retirantes retratados nos bonecos de barro de mestre Vitalino, esbanjam colorido humor. É sem conta o número de mestres de vida e arte desse fecundo país continental, que conta história em tudo o que faz.
O envolvimento com a ilustração levou-me à ativa participação na ASSOCIAÇÃO DE ILUSTRADORES DO RIO DE JANEIRO, em sua primeira formação. Associação esta que nasceu de provocação que fiz, durante um encontro de autores e ilustradores promovido pela FNLIJ, no Museu da República. Como sua primeira secretária, fui responsável pelas atas das reuniões, arquivista e outras atribuições.
Apesar de formada em letras (Português-Inglês, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1980), minha atenção foi continuamente atraída para as artes plásticas, corrente da qual não quis resgate. Toda formação recebida nessa área serviu tanto às artes plásticas, quanto à ilustração, já que não considero uma atividade inferior à outra.