Dez lendas da tradição oral dos povos ribeirinhos e indígenas da Amazônia, tema da Campanha da Fraternidade - 2007. Cada conto traz um glossário com palavras em tupi e outras típicas da região. Em versões poéticas e bem humoradas, as lendas respeitam as fontes consultadas e são adequadas a crianças da 5ª série. Conheça as aventuras do Curupira, do Boto, Cobra Norato, além dos mitos da origem da Noite, da Mandioca, do Guaraná, entre outros.
“Ninguém queria perder a virada da Noite Grande. Refresco de pó
de guaraná, ralado na língua do pirarucu, rolava solto pra espantar o
sono. Um moço, alinhadíssimo num terno branco, era o único a dispensá-lo.
Com pequenos goles, passou a noite bebericando cauim. E os olhos,
redondos e bem pretinhos, presos em Luzia.
À meia-noite, soltaram-se os fogos. Naquela confusão de brilho e
pólvora, Luzia se perdeu de seu par. Foi quando o moço de branco, que
não tirou o chapéu nem pra cumprimentá-la, surgiu à sua frente. Trazia,
todo galante, o presente perfeito pruma menina-moça: um botinho de
balata, mistura de brinquedo e prenda.”
(trecho de O BOTO, uma das lendas que compõem o livro LENDAS DA AMAZÔNIA ...E É ASSIM ATÉ HOJE).