Anabela é o nome da personagem principal, a menina-mãe que sai à procura de sua boneca-filha, seqüestrada pelo misterioso Homem da Capa Preta. O caminho da busca é marcado pelo amadurecimento da personagem que se torna mulher, do encontro com o amor (Homem Alto de Terno) e de muitas aventuras protagonizadas pelo casal. Um mesmo vilão se desdobra em cinco personagens. As pistas para o desenlace são dadas em forma de charada, do tipo “o que é, o que é?”. A narração é feita por um retirante nordestino, Zé das Couves, que conta a história em forma de repente. Uma parte da peça, passada no Egito, é realizada através do recurso do teatro de sombras. Muita brasilidade, nonsense, humor e música marcam o texto que culmina com um apoteótico final feliz, misturando circo e quadrilha de festa de São João.
“ANABELA - Bom dia, Amendoeira Faceira. Estou tentando achar alguma pista do bandido que seqüestrou minha filhinha. A senhora, que não dorme no ponto, por acaso não o viu passando por aqui, esta noite?
2ª ÁRVORE - Bom dia, Anabela. Vi, vi sim. Ele passou bem pertinho de mim: era alto, forte, musculoso — um homem muito vistoso.
(A outra árvore se mete na conversa)
1ª ÁRVORE - (Com pose aristocrática) Não, não e não! Não é essa a descrição. Nada está certo na informação: ele era baixo, murcho, franzino — um tipo muito mofino.
TODOS - (Inclusive Zé) Mofino???
ZÉ DAS COUVES - Valei-me, meu Santo Aurélio! (Abre a mala, tira um dicionário e consulta) Moer... mofado... mofento... "Mofino: infeliz, desgraçado, mesquinho, sovina, acanhado, covarde." Credo, que figura esquisita deve ser esse sujeito! (Guarda o dicionário na mala).”
(trecho da peça ANABELA PROCURA E ACHA MAIS DO QUE PROCURA, Editora Dimensão, MG, 2007). |