Vila Aurora, a cidade da personagem principal, Rosa, num repente, se vê paralisada. A única mão que pode “destravar” as pessoas é a mão “de quem acredita”. Aconselhada por seu coração, personagem real da peça, Rosa corre mundo atrás de rodas que devolvam “a vida de volta ao povo de Vila Aurora”. Em sua rota, muitas rodas ela encontrará: a do carro de boi, do trem, das engrenagens, as inacessíveis “altas rodas”, roda de samba, de ciranda e outras mais. Um musical cheio de brasilidade, numa história também em forma de roda, circular, que termina como começa. Apesar disso, há surpresas do início ao fim!
“CIRANDEIRO — Resmunga quem deixa de acreditar que o mundo muda e a vida roda.
ROSA — Mas resmungar é direito, quando tá tudo errado!
TODOS — Resmungar e protestar, apesar de parecidos, nem parentes são.
ROSA — São não?
CIRANDEIRA — Quem resmunga, paralisa a dança; é o protesto que impulsiona à mudança. Seu povo escolheu a rota errada que leva a lugar nenhum. Viu que parou tudo na roda travada da solidão?
ROSA — Não tem jeito de desfazer o mal feito?
CIRANDEIRO — Jeito tem: achar a roda que gira a vida de volta ao povo de Vila Aurora.
ROSA — A roda que gira a vida de volta ao povo de Vila Aurora... Bonito, parece música!
TODOS — Cada roda tem sua música. Outras rodas, não sei, mas quem nina roda de ciranda é rainha, não é rei.”
(trecho da peça A ROSA QUE GIRA A RODA). |