A história gira em torno do profundo amor entre o Filho da Água e a Filha do Fogo. Os heróis, porém, encontram o obstáculo do ciúme doentio do pai da moça, rei Fogo, e seu desejo de dominar sobre os demais elementos. Para tanto, impõe ao Filho da Água realizar três provas para merecer a mão de sua filha. A última é trazer-lhe Sangue de Dragão, o sumo da malignidade. Até o desfecho, há intensa participação de elementos, forças e leis da natureza como a Água, o Vento, o Tempo e até a Morte. O final surpreende pelo aparente fim dos heróis que, ao contrário, provam que o amor é mais forte do que a morte.
“ÁGUA (Ela o olha assustada, pressentindo algo) — Amor? Quem está amando quem em meu reino, sem meu consentimento?
FILHO DA ÁGUA — Eu, minha mãe. E sem meu consentimento também! Aconteceu: tive o coração tragado num sumidouro, posto à pique, naufragado. Só encontrarei repouso, de novo, nas costas daquela praia ardida, naquele fogo-de-santelmo encarnado, naqueles olhos em brasa...
ÁGUA (Levantando do trono) — Brasa? De quem você está falando, meu filho?
FILHO DA ÁGUA — Da Filha do Fogo.
ÁGUA (Desmoronando sobre o trono) — A Filha do Fogo! Com tantas sereias, nereidas, princesas e nobres marinhas, o encanto dos homens desde Ulisses, você tinha de me escolher logo a Filha do Fogo?!”
(trecho da peça SANGUE DE DRAGÃO). |